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Women in photography
alinne rezende
Jan 21, 2019
Location: Sao Paulo

So far, photography is a masculine universe according to a report realized by World Press Photo, Stirling University and Oxford University — Reuters Institute, 85% of the photographers are men. Unfortunately, this is not all, according with these 76 pages long report published in September, 23th, 2015, that investigates the state of photojournalism today; the study suggested that their situation might not be due to a lack of effort. The numbers show that these women got university education, they are more engaged with social media and more adaptable in terms of technology use, i.e. video and multimedia, and yet, fewer are being paid and employed.

According to the survey, women are more pessimistic about the future in photography. For Golden, it’s no wonder that women are stressed about their future as journalists. “We hear stories about our colleagues whose pregnancies rendered them radioactive. When clients find out, assignments dry up, it never gets much better. There are constant threats of sexual harassment and violence, often with no [Human Resources] department to appeal to. We’re surrounded by damaging and diminishing words and actions.”

Particularly, it is difficult to deal with all the discrimination suffered by being a woman, even before taking into account the professional capability. It is discouraging to see opportunities trickle through the fingers due merely to the fact of being female. Women are still a minority, nevertheless, they add and bring to photograph their distinct look. The participation of women in the history of photography is undeniable, names like Margaret Bourke-White, Dorothea Lange, or even if we look at our own history, the São Paulo photographer Nair Benedicto, all of them brought a great participation and impact on the photographic world.

But more can always be done, says Golden. “Here’s my advice to men and women on how to retain women in the field,” she says. “Support them. Make them feel valued and competent (assuming they are) and don’t dismiss them when they bring up concerns pertaining to their gender. Yeah, we all have to be tough to make it in this line of work, but women (and other marginalized groups) often have to put up with some really damaging treatment — damaging to their confidence and well-being and pursuit of happiness — and to dismiss this shows a lack of compassion that does not belong in journalism.”

They need to be always one step ahead; they always have to prove their own capacity. Lynsey Addario, famous photojournalist that in 2006 worked with women victims of sexual abuse in Congo said that “I am a women, I am born it is a given. I have a house, a roof over my head; I have running water, electricity, education. I can decide what I wanna do for a living. That’s astonishing because for the most women in the world, they will never, never ever have one of those things. I can’t take that for granted. When I was photographing those women, they took a stand and said yes, take my picture. I want to try and give this strength to others to come forward and to not feel like they are victims. It was very clear to me that. So that I used a lot in my own experiences. I use their stories as a source of strength.”

Unfortunately, in this article, “the feminine” in photography is not as poetic as the visual language that the women’s universe brings to photography. But the strength that comes from the designated “ sex fragile” is greater than the patriarchal society could provide, and gradually leaves its marks and walks through it so one day, if the numbers are still discrepancies, it is by choice rather than discrimination.


text originally posted at OLD magazine in Portuguese  http://revistaold.com/blog/a-participacao-das-mulheres-na-fotografia/  

Por enquanto, a fotografia é apenas uma palavra feminina, porque o seu universo é predominantemente masculino segundo o relatório realizado pela World Press Photo, Universidade de Stirling e Universidade de Oxford — Instituto Reuters, 85% dos fotógrafos atuantes são homens. E a má notícia não termina por aí, segundo o relatório de 76 páginas publicado em 23 de setembro deste ano, que busca investigar o perfil do fotojornalismo atual, a pesquisa sugere que esta situação não está relacionada à falta de esforço por parte das mulheres. Os números mostram que essas mulheres possuem maior nível de escolaridade, que são mais engajadas com as redes sociais e também mais propensas ao uso de novas tecnologias, como vídeo e multimídia, mas mesmo assim, poucas estão empregadas ou recebem menos por isso. Apesar de toda trajetória, lutas e conquistas, as mulheres ainda tem um longo caminho à percorrer para que a fotografia possa ser considerada também um universo feminino.

Ainda segundo a pesquisa, as mulheres são mais pessimistas sobre o futuro na fotografia. Para Melissa Golden, fotojornalista situada em Atlanta (EUA) ao ser questionada sobre a pesquisa publicada, fica claro o porquê as mulheres são mais estressadas sobre seu futuro como fotojornalistas. A maternidade, por exemplo é uma dessas preocupações, já que quando a gestação vem à tona, o fluxo de trabalho diminue drasticamente, há também a possibilidade de assédio ou violência, tudo isso sem nenhum departamento de RH para recorrer. “Estamos cercados por palavras e ações danosas e decrescentes “ lamenta.

Particularmente, é difícil engolir toda a discriminação sofrida pelo simples fato de ser o “sexo frágil”, antes mesmo de levar em consideração sua capacidade profissional. É desanimador ver oportunidades escorrerem pelos dedos devido exclusivamente ao fato de ser do sexo feminino. As mulheres ainda são minoria, porém, adicionam, trazem para a fotografia seu olhar diferenciado. Muitas vezes conseguem mais acesso ou veêm uma história que pode passar desapercebido para o olhar e universo masculino. A participação das mulheres na história da fotografia é inegável, nomes como o de Margaret Bourke-White, Dorothea Lange, ou ainda mesmo se olharmos para a nossa própria história, a fotógrafa paulista Nair Benedicto, todas elas trouxeram uma grande participação e impacto para o mundo fotográfico.

“Mas muito mais pode ser feito”, diz Golden. “Aqui vai o meu conselho para homens e mulheres sobre a forma de como mantê-las no campo. Apoiá-las. Fazê-las sentir-se valorizada e competente (assumindo que elas realmente o são). Sim, todos nós temos que ser durões para sobreviver nessa área de trabalho, mas as mulheres (e outros grupos marginalizados) muitas vezes, têm de lidar com alguns tratamentos que realmente são prejudiciais à sua confiança e bem-estar, e ignorar isso mostra uma falta de compaixão que não pertence ao jornalismo”.

Elas tem que estar sempre um passo à frente e sempre provar sua própria capacidade. Lynsey Addario, famosa fotojornalista que em 2006 fez um trabalho no Congo com mulheres vítimas de abuso sexual disse que “atualmente as mulheres vivem grandes injustiças e muitas delas não tem o luxo que nós temos. Eu sou mulher, nasci com uma dádiva: uma casa, um teto sobre minha cabeça, com água encanada, eletricidade, educação. Eu pude escolher o que queria fazer da minha vida. E isso é surpreendente porque muitas mulheres no mundo nunca tiveram ou terão chance a estas coisas. Eu não posso deixar de apreciar o valor dessas coisas. Quando fotografava essas mulheres, elas tomaram uma decisão e me dizeram sim, tire a minha foto. Eu quero tentar pegar essa força e passar adiante para que outras possam prosseguir e não sentir-se como vítimas. (…) Aprendi e trago isso para a minha própria experiência. Penso que para muitas, é muito pior. Então eu uso as histórias delas como uma fonte de força.”

Infelizmente, neste artigo, o feminino fotográfico não é tão poético como a linguagem visual que o universo das mulheres traz para a fotografia. Porém a força que provém do vulgo “sexo frágil” é maior do que a sociedade patriarcal podia prever, e aos poucos mesmo que em “doses homeopáticas” deixa sua marca e caminha para que um dia, se os números ainda forem discrepantes, que seja por opção e não por discriminação.

texto publicado originalmente na revista OLD, http://revistaold.com/blog/a-participacao-das-mulheres-na-fotografia/

Alinne Rezende

visual storyteller / documentary brazilian photographer based in Brazil and Europe fotojornalista localizada no Brasil e Europa
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